sexta-feira, 7 de junho de 2013
OS DIREITOS GAYS E O DIA A DIA NO BRASIL
Um dos argumentos
dos evangélicos e católicos fundamentalistas para se posicionar contra a união
homoafetiva é o suposto temor de que, liberado no país, o casamento gay irá
deturpar o funcionamento da sociedade, “historicamente acostumada ao
relacionamento natural homem/mulher”.
Esta pseudo-teoria
é usada também por todo tipo de cretino que se esconde por trás do tripé
“Tradição, Família e Propriedade” – de adúlteros a pedófilos; de agressores de
mulheres a praticantes de swing e orgias.
Ora, os gays já se
“casam” muito antes de o Supremo Tribunal Federal reconhecer a legalidade das
uniões homoafetivas.
E nada mudou na
sociedade por causa disso – nem melhorou nem piorou.
As famílias ditas
“tradicionais” continuam crescendo e prosperando, criando seus filhos, educando
e seguindo a vida normalmente. Nenhum filho de casal gay tornou-se gay apenas
por que o pai ou a mãe o são – ou pai e pai; ou mãe e mãe, o que sejam.
Os líderes
evangélicos se opõem ao casamento gay pura e simplesmente por que este é o seu
negócio. Os tais bispos, apóstolos, reverendos e pastores defendem uma espécie
de “reserva de mercado”: querem garantir que seu negócio não irá falir com uma
possível debandada de fiéis.
Sem competência
para manter o “rebanho” na doutrina de sua igreja, estes “líderes” tentam
recorrer ao próprio Estado. Querem que o Estado use sua força para obrigar as
pessoas a seguir dogmas que eles não tiveram competência de fazê-las seguir.
E jogar uma pecha
de praga social em avanços como o casamento gay, a legalização do aborto e a
liberação da maconha é só uma das formas de forçar o Estado a assumir a causa.
Mas, como se disse,
este é o ofício destes “líderes”.
E os cretinos? Os
cretinos, como todos os infames, vão na onda da moralidade para esconder o
próprio escárnio.
Geralmente, um
anti-gay é também um inimigo do casamento monogâmico, um explorador de
mulheres, um pedófilo ou um “feitor” de três ou quatro famílias ao mesmo tempo.
Querem mostrar
“moral e bons costumes” para esconder a própria imoralidade.
Os gays são gays
por que assim o são, não por escolha ou opção. São por que é esta a sua
condição sexual. E como tal, devem ser respeitados em sua individualidade –
assim como são respeitados homem e mulher, criança e adolescente, idosos…
Dar direito a esta
minoria não tornará a sociedade mais ou menos gay; nenhum heterossexual será
prejudicado por isso. Ninguém passará a ver gays transando em praça publica –
assim como não se costuma ver casais ditos “naturais”.
Brigar contra esta
realidade social é um atestado de ignorância cultural, intolerância social e
boçalidade religiosa.
Reflete, de fato, a
consciência do chamado “homem natural”, aquele troglodita ancestral, que vivia
nas cavernas.
Mas isso há milhões
de anos…
Por Marco Aurélio
D'erça.
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