terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Moradores de Povoado em Olho d’Água preservam antigas tradições
Os moradores do
Povoado Igarapé da Palmeira, localizado a 13 Km de Olho d’Água das Cunhãs-MA,
ainda preservam algumas tradições.
Em meio a mudanças
radicais provocadas pela globalização, alguns poucos povoamentos, conseguem
manter costumes, crenças e tradições de seus ancestrais.
A localidade
Igarapé da Palmeira foi, onde os retirantes do Ceará e Piauí fugindo da seca
implacável de 1958 encontraram terras férteis para recomeçarem a vida. Passada
a seca, alguns retornaram aos estados de origem, mas muitos permaneceram,
persistiram e conseguiram riquezas abundantes, hoje muitos destes, são grandes
proprietários de terras ou grandes empresários.
No povoado de
aproximadamente 25 casas, são visíveis os reflexos da globalização, através das
antenas parabólicas, antenas de celular rural, celulares, tabletes, TV’s e
outros... Mas, são mantidas, algumas tradições deixadas pelos primeiros
moradores, como a construção de casas de taipa e cobertas de palha de babaçu,
construção e limpeza de poços (Cacimba), plantação e limpeza de roças,
deslocamento de doentes em redes e demais, tudo em regime de mutirão.
Nossa equipe
participou da construção de uma casa de taipa no Domingo (1º de dezembro), e
levou os olhodaguenses que passavam férias Eliel Rêgo e sua esposa Dona Maria
Antonia proprietários de uma fazenda na zona rural de Divinópolis-TO, para
rever e catalogar a tradição. Segundo Eliel fazia 30 anos que não via o mutirão
conhecido como: Tapação de casa de taipa.
Por volta das 7hs
da manhã, aproximadamente 15 a 20 pessoas iniciaram o trabalho na futura
moradia do casal Raimundinha e Juvelino (Pena) filho do Senhor Luís Maria e
Expedita (Dita) moradores nascidos e criados ali. Dois amassadores de barro,
dois enchedores, e duas duplas de pavioleiros se encarregavam de colocar o
barro para os tapadores, a tarefa de aguar (Molhar) o barro era do dono da
casa. João Salú um dos pavioleiros é também a alegria da turma, contando seus
causos e piadas, segundo ele tudo “Verdade”.
A tradição reza que
o dono da casa, tem que oferecer uma boa cachaça aos trabalhadores, as mulheres
da família se encarregam de fornecer água potável e cuidar do almoço, servido
somente ao termino do serviço, e ocorre geralmente por voltas das 11 horas, no
máximo meio dia. A lida com o barro aumenta a fome dos trabalhadores
voluntários, então o capricho com a comida, tem que ser tanto na qualidade,
quanto na quantidade, pra ninguém sair falando, como dizem por aqui.
O que impressiona é
o fato de todos, após pegarem o rango seguirem para casa, pois domingo no
povoado é dia de trabalhos voltados para família, como: Botar umas cargas de
coco babaçu no jumento (Jegue), quebrar o babaçu, fazer uma caeira de carvão,
capinar o quintal, fazer um rego... Enfim! Somente no final da tarde o pessoal
vai bater o bom e velho futebol, para distrair, pois segunda cedinho a maioria
dos moradores vão prestar serviço nas fazendas da região, erguendo cercas de
arrame farpado, roçando juquira, mexendo com gado, fazendo pé de arrame
(Roçando) e outros, além de cultivar também a própria roça nas horas vagas.
Mas, foi avisado aos presentes, que no próximo domingo (8), o amigo Tino vai
cobrir a casa de palha de babaçu, todos estarão na mesma lida, mantendo a
antiga tradição.
Igarapé da Palmeira
é um dos últimos lugares da região, a manter estas e outras tradições vivas.
Nós do “Mearim Net” acompanhados do amigo Gildássio e do casal Eliel e Maria
Antonia, tivemos muito prazer em participar de tudo, felizes por reviver aquilo
que lembra muito nossa infância.
A matéria foi
sugerida pelo senhor Eliel Rêgo, filho do saudoso Pastor Paulo Rêgo (Assembléia
de Deus), um dos grandes homens que marcaram a história de nossa cidade.
Fonte:mearimnet.com.br
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