segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Legislativo em transe !
O meio político pedreirense se agitou nos
últimos dias com a revelação da intenção do Presidente da Câmara de Vereadores,
Robson Rios, de antecipar sua sucessão, trazendo para o início de março a
eleição da Mesa Diretora do legislativo local para o segundo biênio da
legislatura.
Vários municípios já usaram desse artifício –
a capital maranhense, por exemplo. E quando isso ocorre é sempre por um motivo
ou outro: ou para servir a alguma conveniência do governo ou a do próprio Chefe
do Legislativo que quer se reeleger. Em quaisquer das situações, por casuísmo,
a coletividade sai perdendo.
Para que se concretize a intenção do
presidente, emendas modificativas terão que alterar o Regimento Interno da
Câmara e a Lei Orgânica do Município, respectivamente, em seu artigo 22,
parágrafo 5º e artigo 8, que prevêem a eleição somente para 15 de dezembro. E para tanto Robson Rios terá que demonstrar
grande habilidade política para articular duas situações: primeiro, a
antecipação com a aprovação das emendas em dois turnos de votação; segundo, ser
escolhido sucessor de si próprio na primeira cadeira do Palácio Municipal
Vicente Benigno.
E pelo que tenho observado, não está sendo e
não será fácil para o Presidente em seu intento. Há muitos interesses em jogo e
outros pretensos candidatos a sua cadeira. E a situação da forma que está, pelo
que já vi e vivi em minha experiência política, a pretensão atual de Robson
pode comprometer seu interesse de reeleição, em se considerando a forma
aparentemente autoritária e excludente de alguns de seus pares, pela forma e
dinâmica de condução do processo que ele vem dando, inclusive à revelia da
opinião e participação do Chefe do Executivo e dos principais expoentes do
governo.
Fui vereador e presidente da Câmara duas
vezes. Já vivi esse processo por dentro e intensamente na própria pele. É um
torvelinho de instabilidade de conjuntura, conflitos, fortes emoções e jogos de
interesses assustadores. Tem que ter muita fibra, determinação, estômago,
paciência e habilidade política para sobreviver a esse processo todo.
E em época de crise de credibilidade nas
instituições como estamos vivendo atualmente, seria salutar evitar essa
polêmica agora. É tão crítica a situação, que estamos em tempos de população
querer fazer justiça com as próprias mãos por falta de fé nos poderes
constituídos. A Câmara Municipal de Zé Doca, por exemplo, foi invadida nessa
semana por revolta de populares com a atuação dos vereadores. Dos poderes
constituídos, o legislativo é o mais decadente na credibilidade popular.
E apesar da imensa importância do vereador,
este pára-choque da classe política é o mais desacreditado e desvalorizado
dentre todos os agentes políticos. Uma pesquisa da União de Vereadores do
Brasil-UVB realizada em várias cidades brasileiras de pequeno e médio porte,
perguntou à população que repartição que gostaria que fosse fechada, se a
Câmara Municipal ou a quitanda da esquina. E mais de 70% dos pesquisados
responderam que preferiam que fosse fechada a Câmara.
Essa composição atual do legislativo
municipal tem um aspecto muito positivo, pois é a Câmara de mais elementos
jovens que já tivemos. E juventude é sempre sinal de garra, mudança e
esperança. Mas essa Câmara também tem um aspecto extremamente negativo. É a Câmara
de “vereadores de donos”. Há dois irmãos de vereadores, um empresário e um
político, que têm posse sobre esses mandatos; um deputado também tem dois; uma
sogra tem um; um cunhado tem outro; outros dois empresários têm mais dois; e um
suplente em exercício tem na mãe a dona de seu mandato... E assim vai...
Ninguém mais nem questiona a independência do Legislativo frente ao Executivo,
mas a independência do vereador em relação ao seu “dono”.
Sendo assim, para saber se vai mesmo haver ou
não antecipação da eleição e quem deverá ser o próximo presidente, Robson Rios
não deve conversar obrigatoriamente com seus pares ou com o prefeito, mas é com
Raimundo Louro, Dona Aldenora Veloso, Neto da SP, Rogério Medeiros, Edmilson
Filho, Paul Getty, Werneck Leite, Fátima Lemos, que “têm mandato e voto na
Câmara” e não compõem nem o cenário de maioria simples dos votos, mas de
maioria absoluta, superior a dois terços, quantidade suficiente para quaisquer
atos dentro dos amplos poderes do legislativo.
E tenho dito!
Allan
Roberto Costa Silva,
médico, ex-Presidente da Câmara Municipal
de Pedreiras, membro da Academia Pedreirense de Letras e da Associação de
Poetas e Escritores de Pedreiras-APOESP. E-mail: arcs.rob@hotmail.com e allanrcs@bol.com.br
Marcadores:OUTRAS CIDADES,PEDREIRAS
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